Se porventura a minha avó

Se porventura a minha avó fosse uma árvore, eu sei que seria a árvore mais bonita do meu jardim.

Teria um tronco firme e largo, do tamanho exato do meu abraço, e uma copa maravilhosa, recortada de generosidade e afeto. Sob ela, protegida na sua sombra, eu sei que reencontraria, mesmo que também eu fosse já velhinha, o sono tranquilo da minha infância.

Se a minha avó fosse uma árvore, estou certa de que colheria dos seus ramos as flores mais encantadoras, os frutos mais doces. Seriam flores de mil cores e frutos com sabor a rebuçado, e mais do que encherem-me as mãos, os olhos e a boca, inundar-me-iam de sorrisos. Dos seus eternos e apaziguadores sorrisos.

Se a minha avó fosse uma árvore, seria uma árvore de raízes feitas tranças, grossas e profundas. Nelas, estou certa, reconheceria os valores maiores por que a minha avó se pautou ao longo de toda a sua vida. A Família. A Fé. E a Amizade que sempre manteve com as suas amigas de sempre.

Que saibamos nós, que descendemos dela e somos família, ousar ser uma ínfima parte do que ela foi. Que possamos sentir, debaixo dos nossos pés, o valor das raízes que ela nos deixa, mesmo que agora não tenhamos mais o amparo do seu tronco.

Maria da Glória Marques de Amorim
28-04-1926 * 05-04-2017

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