É que às vezes...

E pronto, finalmente os miúdos lá tiveram a sua primeira experiência com ponéis.

Aconteceu na 2ª edição do Dia Aberto do Parque José Avides Moreira, espaço para onde será transferido o Pony Club do Porto ainda este ano. Para quem não conhece, o Parque José Avides Moreira fica localizado no interior do perímetro do Hospital do Conde Ferreira que, para quem não conhece também, é uma unidade hospitalar secular, vocacionada para o tratamento de doenças do foro mental.

Se porventura já acedeste, como eu já por várias vezes acedi, a este hospital, sabes bem que por ali o ambiente é perturbadoramente denso. Alguns doentes estão lá há muitos anos. Mais do que a memória, mesmo que estivesse sã, poderia precisar. Alguns deles estarão lá por muitos anos mais. Talvez até, quem sabe, ao dia em que a morte os cure de vez. 

Enquanto isso espera-se.

Pelas rotinas. Pelas terapias. Pela noite. Pelo dia. Pela chuva. Pelo sol.

Pela chegada de um estranho, a que possam pedir, com insistência obsessiva, um “cigarrinho” ou uma “moeda” para um café no bar do hospital ou, para quem foi concedido o privilégio, num dos cafés da vinhança, na Rua de Costa Cabral.

Pela chegada de um estranho a quem possam oferecer, também!, com a mesma insistência obsessiva, um punhado de morangos que, maravilhosos, crescem na horta terapêutica daquele Parque que, com obstinado afinco, é por eles cuidada dia após dia.

"Tomem, comam que são bons."
"Tomem, comam que são bons."
"Tomem, comam que são bons."

E eram, se eram bons.

...

É que às vezes a compaixão vem de quem menos se espera.
Vem de quem mais dela precisa.






Comentários